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Expresso

Os exames da mediania

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Os exames, com o peso absurdo que ganharam, não vinculam apenas os professores aos programas. Amarram-nos de forma asfixiante a um guião burocrático impossível de reescrever. Não definem apenas um patamar de exigência. Criam um teto que é impossível ultrapassar. É por isso natural que a sua existência não se tenha traduzido em melhorias, como um responsável pelo sistema confessa. A multiplicação insana de exames nacionais em cada vez mais ciclos de ensino e o acicatar da competitividade por via de rankings só podia acabar na total incapacidade de fazer leituras inteligentes de um instrumento de avaliação cada vez mais estúpido. Hoje, nas escolas, não se avalia para ensinar melhor. Ensina-se para avaliar.

Em princípio, os exames têm um papel essencial na regulação do sistema porque, por um lado, vinculam os professores ao cumprimento do programa e, por outro, definem um patamar de exigência que está padronizada a nível nacional. Mas efetivamente os exames não estão, como gostaríamos que acontecesse, a gerar melhorias. Temos devolvido resultados às escolas que lhes permitem comparar o desempenho dos seus alunos nos vários domínios que são avaliados. Não acho importante que se comparem médias, mas sim que as escolas percebam com os estão os seus alunos num determinado domínio, por exemplo a escrita, por referência ao que é o padrão nacional. (...)
Normalmente o que se devolve aos alunos é uma nota e é geralmente isto que eles e os pais também querem saber. Mas uma nota não nos diz o que ficou por aprender ou o que está mal aprendido e o que se tem de fazer para melhorar.” Este balanço dos exames nacionais não é feito por um crítico. É feito pelo presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Hélder de Sousa. Vem de dentro do sistema que produziu a máquina de produzir avaliação em que se transformou o nosso sistema de ensino.


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