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Expresso

O amor por um mundo vago

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Alguns grandes heróis históricos tiveram um profundo amor à humanidade, só não gostavam especialmente de pessoas. Nunca conheci alguém que fosse verdadeiramente tocado pelo sentimento de justiça sem conhecer de forma próxima sentimentos mais corriqueiros. Conheço muitos homens e mulheres que entregaram a sua vida a mudar o mundo, abdicando em absoluto do amor pelos mais próximos. Geralmente, o mundo, com as pessoas que nele vivem, passou a ser, para eles, uma coisa demasiado vaga para que eles o pudessem realmente mudar. É que o sacrifício por valores, sem a experiência da generosidade quotidiana e banal, pode não passar de narcisismo.

Como todos os textos que tocam em temas sensíveis, o meu artigo “Mãe que arrepia” recebeu elogios e críticas exagerados. E a natureza singular do amor parental, seja de mãe ou de pai, é, como todos os temas que mexem no essencial das nossas vidas, sensível. Algumas críticas dirigem-se ao que expressamente não era o tema do meu texto: o julgamento, para além das suas palavras, da mãe do Daniel, o homicida de Salvaterra. Manifestei-me claramente incapaz de o fazer. Outras, imaginaram distinções entre os deveres das mães e dos pais que não só não fiz como, no texto, claramente desautorizei. Outras criticaram a ideia de haver amores naturais ou de poder existir um dever de amar. É um tema difícil mas, que no essencial, penso já ter tratado no texto propriamente dito. 

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