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O seu trabalho é política

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Na pós-produção do programa “Ídolos” fazem-se crescer as orelhas, já de si grandes, a um adolescente. Como podemos nós ter um discurso moral sobre o bullying nas escolas se os adultos, para ganhar dinheiro, fazem telebullying a miúdos? Há uns anos, o historiador António Hespanha trocou as voltas a uma frase conhecida para dar título a um texto seu: “O meu trabalho é política”. E é sempre. Incluindo o trabalho de quem veicula, na televisão, a ideia de que quem não vence merece ser tratado como lixo. Os deveres éticos de quem produz os “Ídolos” ou de Teresa Guilherme não são menores do que os de Ricardo Salgado ou de um ministro.

O programa “Ídolos” funciona como dezenas de programas do género. E na aparência tem um objetivo simpático: selecionar bons cantores, no género mais comercial. Entretenimento simples, o que não faz mal nenhum. E eu não sou daqueles que espera que a televisão eduque. Quando o faz, faz um milagre. Pode haver, e há, boa televisão. Mas o meio faz tudo contra a inteligência. A televisão é, por natureza, o meio mais estúpido que pode existir. Pede quase nenhuma interação e deixa quase nenhum espaço para a imaginação. Mas é o que é, serve para o que serve, e isso não me faz perder o sono. Nem pode fazer, já que eu próprio trabalho em televisão.

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