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O pai Le Pen, a filha Le Pen e a cama onde nos vamos deitar

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A extrema-direita ganha terreno no Reino Unido ou na Finlândia em nome de um egoísmo nacional que se mascara de defesa da soberania democrática. Em França, como uma frente popular e patriótica em defesa de adquiridos sociais. Na Grécia, como reação à miséria e à humilhação nacional. Baseia-se em problemas reais para dar respostas simples. A única coisa que ainda nos protege desta gente são as suas idiossincrasias, bem visíveis no delicioso confronto entre Marine Le Pen e o seu pai. Mas são apenas dores de crescimento. Depois delas, a extrema-direita vai parecer menos indigesta. Quem, nesta Europa em processo de autodestruição, lhes preparou o caminho que carregue na sua consciência o legado político que deixa aos nossos filhos. 

A novela que a Frente Nacional tem oferecido aos franceses e ao mundo tem todos os ingredientes para agarrar o público do primeiro ao último minuto. O pai Le Pen, que, como qualquer candidato a ditador, não confia em ninguém a não ser nos que são do seu sangue, tratou de garantir que a sucessora seria a sua filha. A filha, para além de não querer viver a sua vida à sombra do paizinho, descobriu que piadas sobre os crematórios tendem a afastar eleitorado com mais de três neurónios em funcionamento e cujo o coração dê sinais de vida. O ódio deve seguir os sentimentos populares modernos e dirigir-se apenas aos imigrantes e aos muçulmanos. Para além disso, Marine teve a inteligência de transformar a Frente Nacional na mais poderosa força popular através de bandeiras sociais que nunca disseram nada ao pai. Dir-se-á que é apenas mais dissimulada e por isso mais perigosa. Concedo que sim. Mas parece-me que é, antes de tudo, politicamente mais inteligente.


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