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Luís Carmelo

O Wrestling político e o PSD

Barthes escreveu há muitos anos sobre o facto de o wrestling não ser um desporto, mas antes um espectáculo. Tal como o strip-tease.

Luís Carmelo (www.expresso.pt)

Acabo de ver o Real-Madrid - Barcelona. Passo para os canais de notícias e ouço logo falar em "unidade". Sim: uma espécie de unidade entre Real e Barça ou entre os gladiadores do melhor wrestling que se pratica em Portugal. O ringue de jogo é em Carcavelos, mas não é o velho Carcavelinhos que está ao ataque. É o PSD.

Na TVI24, João Pereira Coutinho sublinha, a certa altura, a "precaridade" da tão citada unidade, enquanto os demais comentadores referem o surrealismo político da situação (parece que Morais Sarmento não quis falar, nas "cordas" do congresso, para não ser entendido como aliado de Sócrates). Os protagonistas e os treinadores do congresso de Carcavelos discursam sobre uma espécie de 'nada' a que faltará a cor das máscaras e os rostos de uma identidade.

O enredo destes congressos mensais do PSD é tão peculiar que Passos Coelho incluiu a oposição interna no seu barco e parece adoptar um tipo de jogo em que obrigatoriamente as equipas marcam golos na própria baliza. É a táctica do empate perpétuo consentido. É a táctica da dissimulação: puro wrestling que tenta sugerir que há bom tempo no canal.

Barthes escreveu há muitos anos sobre o facto de o wrestling não ser um desporto, mas antes um espectáculo. Tal como o strip-tease, que sugere o palpite do sexo sem o ser, o wrestling sugeriria a avidez do desporto embora não passasse - e não passa - de uma táctica espectacular ao serviço de um tão perverso quanto desejado empate.

Qualquer dia, esta "unidade" do PSD ainda vai tornar Alegre num menino ciumento. Quem lhe dera - ao poeta - ter no PS estes furiosos adeptos do wrestling político! Faria bem às suas ilusões e às suas visões de lanterna mágica presidencial.