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Isto é Matemática

Somos todos primos!

Cada um de nós tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós, 64 pentavós, 128 hexavós... e por aí adiante, ou melhor, por aí atrás! Mas... há algo aqui que não bate certo: como pode o número de avós em cada geração ir sempre duplicando, se a população de humanos é finita?

Esta semana falamos sobre os nossos ancestrais progenitores. É ver!

Como vimos no vídeo, de facto a nossa árvore de ancestrais progenitores não aumenta tanto quanto se espera quando, de forma ingénua, se conta o número de avós como fizemos no início do vídeo. Na verdade, embora a nossa árvore de ancestrais progenitores vá alargando no início, depois de recuarmos alguns milhares de anos a árvore começa até a estreitar. No passado uma grande percentagem de casamentos acontecia entre primos chegados, ainda é assim em algumas partes do mundo. Segundo os antropólogos, cerca de 80% de todos os casamentos da história aconteceram entre segundos primos ou primos diretos. Nos séculos mais recentes isto acontecia essencialmente por tradição, em séculos mais distantes acontecia porque a população humana não era assim tão grande e porque se vivia em núcleos relativamente fechados.

Dado que a árvore se vai estreitando, há uma pergunta que se impõe: mas vai-se estreitando até que ponto? Será que somos todos netos de um pequeno punhado de humanos? Mas quantos? Será que é possível sermos todos ‘netos’ de uma só grande avó e avô que viveram num passado distante? Surpreendentemente os estudos genéticos apontam nesse sentido, aparentemente somos todos descendente de uma só mulher e de um só homem. Isto não é assim tão estranho, aparentemente, houve períodos da história onde a população humana esteve muito perto da extinção, houve épocas onde a população humana ficou reduzida a uns quantos milhares de indivíduos, os chamados gargalos populacionais. Nessa altura é bem provável que uma dada família por alguma razão se tenha isolado e só os descendentes dessa família tenham deixado descendentes até aos dias de hoje.

Para além dos 46 cromossomas que cada um de nós tem no núcleo das nossas células, há mais informação genética noutra partes da célula, em particular há informação genética numa parte da célula - as chamadasmitocôndrias - que tem a particularidade de só vir da nossa mãe. Analisando este tipo de ADN é possível estudar a árvore genética das nossas avós. Há estudos que indicam que teria existido uma grande avó de todos nós, a chamada Eva Mitocondrial, e que terá vivido há cerca de 200 000 anos em Africa. Há formas análogas de traçar a nossa árvore de avôs e tentar chegar ao que se chama o Adão Cromossomial-Y, que parece ter vívido mais ou menos pela mesma altura.

Atenção, isto não quer dizer que tenha existido um Adão e Eva no sentido bíblico. Não só o Adão Cromossomial-Y e a Eva Mitocondrial quase de certeza não se conheceram e tiveram filhos um com o outro, como não viveram sozinhos no mundo. São apenas dois humanos perdidos no passado que por sorte, ou porque tinham os melhores genes, acabaram por ter os descendentes que deixaram descendentes até nós.

Bem... e a ser assim, somos mesmo todos primos!

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