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Expresso

Extraterrestres? Quantos são? Quantos são?

Será que conseguimos calcular a probabilidade da existência de vida inteligente extraterrestre? Bem, conseguir... não conseguimos, mas não custa nada tentar: é isso que faz a equação de Drake.

Esta semana falamos sobre a possibilidade de vida extraterrestre e da equação de Drake. É ver!

Seria um pouco triste se estivermos de facto sozinhos. Tanto universo e afinal... só calhaus. Mas a verdade é que - tal como Enrico Fermi percebeu - é estranho ainda não termos avistado nada.

O que não falta são tentativas de explicação para o paradoxo de Fermi, há dezenas de tentativas de explicação para facto de nunca termos avistado extraterrestres. Algumas possibilidades são mais ou menos óbvias: os extraterrestres podem simplesmente não existir, nesse caso seremos fruto um gigante acaso. Outra possibilidade é esses seres serem tão diferentes de nós que nós nem damos por eles, estamos essencialmente a procurar a coisa errada. Pode até acontecer que esses seres já nos tenham visto, mas nos tenham ignorado, pode ser que olhem para nós como nós olhamos para uma minhoca ou uma formiga, com um relativo desinteresse.

Há, contudo, explicações bem mais curiosas: pode acontecer que nós sejamos uma experiência de outra espécie qualquer. É um facto que nós, humanos, temos cientistas que se dedicam a estudar teorias para o aparecimento de vida na terra, esses mesmos cientistas fazem experiências onde tentam recriar as condições primordiais e simular o aparecimento de vida. Ora, se por ventura há civilizações muito mais avançadas que a nossa, é muito provável que tenham cientistas que levaram estas experiências muito mais além, eventualmente criando experiências que incluem planetas onde deixam crescer vida inteligente. É possível que nós sejamos simplesmente uma experiência e estejamos dentro de um ‘tubo de ensaio’ de alguém. Pode ser que esses seres tenham criado todo um universo, mas também pode acontecer que quando olhamos para o céu estejamos a ver um cenário artificial para nos dar a impressão de que não estamos presos. Quem sabe se neste momento há alguém lá em cima a observar-nos e a dizer: -Olha, olha... agora elegeram um Trump! Eu sabia que isto não ia longe...

Outra explicação possível, de que gosto particularmente, é a possibilidade de todas as civilizações inteligentes estarem dentro de chips. É um facto que a nossa capacidade computacional está cada vez maior, é plausível que no futuro possamos transferir a nossa mente para dentro de um computador. Eventualmente vamos criar todo um mundo virtual onde as nossas mentes vão viver e não é difícil de imaginar que esse mundo seja mais agradável do que o mundo físico que conhecemos. Pode acontecer que todas as civilizações inteligentes acabem por criar este mundo virtual e se transfiram para lá, nesse caso não avistamos ninguém porque está tudo dentro de chips algures por esse universo fora. Uma situação onde o second life se transformou no first life.

Muitas vezes olhamos para estes assuntos com um pé atrás porque são tratados de forma pouco científica, ainda assim, há quem se dedique a estudar estes assuntos de forma séria: um bom exemplo é o SETI, outro exemplo é o Future Humanity Institute, um centro interdisciplinar baseado na universidade em Oxford e dirigido pelo filósofo Nick Bostrum. Segundo Bostrum, é possível que a vida extraterrestre seja de facto pouco provável, mas nesse caso deve haver pelo menos um ponto no processo de evolução que é pouco provável, a questão é: que ponto é esse? Ao longo do processo de evolução de vida na terra, há pontos que são claramente delicados, por exemplo o aparecimento da reprodução sexuada, por outro lado há passos evolutivos bastante naturais, um exemplo é a capacidade de voar que surgiu em várias ocasiões, e de forma independente, no processo evolutivo.

A questão é saber onde está esse passo delicado e improvável. Uma possibilidade é, nós humanos, já termos passado por ele: nesse caso, isso explica tudo, somos de facto algo improvável no universo, fruto de um enorme acaso: todas as outras ocorrências de vida fora da terra não tiveram essa sorte. Mas também pode acontecer que esse ponto esteja à nossa frente, pode ser que todas as civilizações extraterrestres inteligentes tenham acabado por chegar a algo que inevitavelmente as destruiu. Bostrum dá um exemplo muito simples: felizmente a bomba atómica, descoberta nos anos 40, é complicada de produzir, mas imaginem que há uma forma - ainda não descoberta - de fabricar algo com o mesmo poder de destruição, mas que pode ser fabricada com materiais correntes, digamos farinha, pó de giz e sabão. Nesse caso é provável que todas as civilizações acabem por fazer essa descoberta e acabem por se extinguir. O Future Humanity Institute leva muito a sério esta tarefa de tentar encontrar potenciais perigos para a humanidade no futuro.

Nestas coisas que podem por em perigo toda a vida na terra, na dúvida, devemos jogar à cautela. Por exemplo, o facto de o aquecimento global ser consequência da atividade humana, ainda é questionado por muitos. Ainda assim, como isso pode por em causa algo realmente único no universo - em particular nós próprios e os nossos netos – na dúvida, o melhor e jogar pelo seguro e fazer o que pudermos para evitar tudo o que possa estar na sua origem!

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