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Expresso

Quanto tempo nos resta de vida?

A esperança média de vida à nascença, neste momento, está nos 83 anos para as mulheres e nos 77 anos para os homens. Quer dizer que é provável que, nós homens, não passemos dos 77 e elas dos 83?

Temos boas notícias para si, não é bem assim! No episódio desta semana explicamos porquê!

É um facto que a esperança média de vida tem vindo a aumentar nos últimos anos. Ainda assim, há uma pergunta que se impõe: será que vai continuar a aumentar para sempre, ou tem um limite?

Se registarmos a esperança média de vida todos os anos, obtemos uma sucessão de valores. Pode acontecer que ao longo dos anos esta sucessão decresça: o diabo seja cego, surdo e mudo, mas pode acontecer que no futuro as condições de vida se tornem mais difíceis e os humanos passem a viver menos tempo. Ainda assim, o que tem acontecido em geral é um crescimento desta sucessão ao longo dos anos. Será que esta sucessão está a tender para infinito ou, embora continue a crescer, vai crescer cada a vez menos, e tem um limite?

É claro que a esperança média de vida tem vindo a subir consequência das melhores condições de vida, segurança, higiene, alimentação e, principalmente, dos avanços na medicina. Há quem acredite que vamos continuar a ter progressos na medicina, que nos vão manter vivos cada vez até mais tarde. Assim, daqui por alguns anos vamos ter esperanças média de vida da ordem dos 100 anos, umas décadas depois da ordem dos 120, depois 140... e assim por diante, não havendo um teto para a esperança média de vida.

Mas também há quem acredite que não, embora a esperança média de vida esteja a subir, ela vai subir cada vez menos e nunca vai passar, digamos, dos 100 anos. Neste outro cenário, nós estamos simplesmente a criar condições para que cada vez mais pessoas possam viver até serem idosos.

De facto, longevidade e esperança média de vida não são a mesma coisa. Longevidade, é o tempo máximo de vida a que alguns indivíduos de uma dada espécie podem chegar, esperança média de vida é, como vimos, uma média do número de anos de vida que um individuo espera viver, baseada no número médio de anos que se vive numa determinada época. Segundo esta segunda teoria, a melhoria nas condições de vida e a medicina, estão a aumentar a esperança média de vida, mas não a longevidade da espécie humana. A não ser que se crie algo extraordinário do ponto de vista da preservação do corpo humano, os nossos anciões mais velhos continuarão a não passar dos 120’s.

Normalmente há a ideia de que no passado, há milhares de anos atrás, as pessoas não passavam dos 30’s. Em geral, isto está correto, ou melhor, em média, era de facto assim. Contudo, sempre existiram anciões que viviam até muito tarde; eram poucos, mas havia. Ou seja, aparentemente nessa altura a esperança média de vida era, de facto, muito baixa, mas a longevidade não seria assim tão diferente dos dias de hoje.

Normalmente não pensamos nisto assim, mas o tempo de vida típico de um humano é essencialmente uma característica da espécie humana, tal como ter dois braços ou um nariz. Nós não envelhecemos como os trapos, literalmente: os trapos, ou outro objeto qualquer, vai envelhecendo porque fica desgastado pelo uso e pelo tempo, as células do nosso organismo vão-se renovando ao longo da nossa vida. Em principio, não haveria um impedimento biológico para o corpo se ir renovando e vivendo para sempre. Aparentemente as nossas células têm informação sobre a nossa idade e progressivamente o corpo vai envelhecendo, como programado.

Essencialmente a morte é uma consequência da reprodução sexuada. Do ponto de vista evolutivo, a nossa espécie evoluiu para se reproduzir de forma sexuada, dois seres juntam-se para recombinar os seus genes e produzir um novo ser. Isso traz vantagens para a espécie, o problema é que, nesse caso, torna-se necessário descartar os indivíduos antigos. Uma planta que se reproduza por estaca, de certa forma tem vida eterna, é uma parte dela que se volta a desenvolver num local diferente.

Curiosamente, a morte e o sexo andam de mãos dadas do ponto de vista evolutivo.

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