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Expresso

Vale a pena usar desdobramentos no Euromilhões?

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Quase toda a gente que joga no Euromilhões já ouviu falar nos desdobramentos: conjuntos de chaves que garantem certos tipos de prémios... em certas condições. Será que os desdobramentos dão mesmo dinheiro?

Essencialmente não! Ainda assim vamos conhecer a história de alguém que - de facto - usou desdobramentos para ganhar muito dinheiro.

Volto a enfatizar que a situação de James Harvey era muito especial, neste caso a lotaria estava a dar dinheiro - com ou sem desdobramentos - o que ele fez foi usar desdobramentos para otimizar o investimento. Escolhendo cuidadosamente a malha de chaves que usava ele conseguiu maximizar a diferença entre o valor que recebia em prémios e o dinheiro investido. Na verdade, a história é bem mais complexa do que tivemos tempo para contar nestes dez minutos de vídeo. No início havia só o grupo de Harvey, mais tarde juntaram-se mais três grupos de apostadores massivos. Pelo menos um deles não usava desdobramentos, limitava-se a comprar um conjunto muito grande de chaves escolhidas ao acaso, e ainda assim ganhava dinheiro. Um dos problemas deste segundo grupo, que usava chaves escolhidas ao acaso pelos terminais de introdução de apostas, era encontrar os prémios nos talões das apostas, Harvey, tinha tudo automatizado e, logo que saiam os números vencedores, sabia imediatamente quanto tinha ganho em prémios.

Harvey rapidamente abandonou os estudos para se dedicar a tempo inteiro à sua empresa, a Random Strategies Investments LLC, assim à primeira vista podemos pensar que Harvey deixou a Universidade simplesmente porque de repente estava a nadar em dinheiro. Na verdade, não era bem assim, investir massivamente num destes jogos é um trabalho a tempo inteiro! Para além de todo o trabalho teórico a calcular probabilidades e desenvolver desdobramentos, era necessário resolver uma série de problemas práticos: encontrar investidores, preencher centenas de milhar de boletins e, principalmente, encontrar quiosques que aceitassem colocar pessoas a registar chaves para eles a tempo inteiro. Para além disso era necessário lidar com toda uma série de imprevistos: máquinas que tinham tendência para encravar nos dias húmidos, falta de tinta nas máquinas que registavam as chaves e até faltas de eletricidade. Nas semanas, em que o Jackpot era distribuído eram uma corrida contra o tempo para conseguir colocar todos os boletins.

Logo que os outros grupos começaram a investir, o retorno foi sendo cada vez menor, quanto mais gente investia mais segundos prémios eram entregues e menos calhava a cada grupo. Exceto numa semana especial em que o grupo do MIT recolheu para si praticamente todo o bolo. Nas semanas que se previa que o Jackpot ia ser distribuído pelos segundos prémios, esse facto era anunciado pela casa para chamar mais apostadores. Numa das semanas o valor em Jackpot ainda não estava suficientemente alto para a casa anunciar a distribuição do primeiro prémio, mas não estava longe. Enquanto os outros grupos ficaram à espera pela semana seguinte para apostar massivamente, o grupo do MIT investiu fortemente, de forma a provocar a distribuição do jackpot uma semana antes do esperado e arrecadar quase tudo para si.

Isto de ser apostador profissional de jogos do tipo de Euromilhões não é uma vida fácil!

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