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Expresso

Somos todos daltónicos!

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Porquê três cores primárias? Será que duas não chegam para, quando misturadas, criar toda a palete de cores? E porque não quatro? Será que se adicionarmos uma quarta cor primária conseguiríamos obter ainda mais cores?

Esta semana falamos sobre cores, mas principalmente sobre as nossas limitações ao ver essas cores.

É possível que tenha ficado um pouco baralhado com os esquemas de cores primárias que apresentamos no vídeo. Há dois esquemas diferentes!

Mas afinal, as cores primárias são ciano-magenta-amarelo, como nos ensinaram na escola primária, ou vermelho-verde-azul, como os informáticos teimam em usar no RGB?

De facto, esta coisa das cores primárias é, antes de mais, uma convenção. Que devem ser três, é incontestável, tem a ver com o número de tipos de células cónicas que temos nos olhos, mas quais são exatamente, depende de várias coisas. Em primeiro lugar depende do meio em que estamos a trabalhar. Quando vemos uma luz vermelha, vinda por exemplo de um holofote, estamos a ver as frequências que de facto estão nesse foco de luz, já quando vemos um vermelho de um objeto ou tinta, ainda no pincel ou já no papel, estamos a ver as frequências que não foram absorvidas pelo material e foram refletidas para os nossos olhos.

Não é a mesma coisa misturar duas cores de luz ou misturar duas cores de tinta. No caso da luz, quanto mais luzes misturarmos mais claro fica o resultado - no limite todas juntas dão o branco. No caso de tinta, quanto mais cores misturamos mais escuro fica - no limite as três primárias misturadas dão preto. No caso da tinta, dizemos que o sistema é subtrativo e normalmente considera-se para cores primárias o ciano-magenta-amarelo: este é o caso dos pintores ao misturar tintas ou das impressoras. No caso da luz, dizemos que o sistema é aditivo, neste sistema é habitual adotar como primárias o vermelho-verde-azul, é o caso dos holofotes nos espetáculos ou dos ecrãs de televisão ou computador.

De qualquer forma, dentro destes sistemas poderíamos ter considerado outras cores primárias. Do ponto de vista puramente matemático, praticamente quaisquer três cores poderiam ser tomadas para cores primárias, por exemplo estas três

Teoricamente, num sistema aditivo, qualquer cor é uma combinação matemática destas três cores, acontece que para obter algumas cores teríamos de adicionar uma quantidade negativa de uma destas cores - o que na prática é impossível de fazer. Na realidade, o que se faz é escolher para primárias três cores que estejam suficientemente bem distribuídas pelo espectro visível e de forma a que a maior quantidade possível de outras cores seja uma combinação, positiva, destas três cores. Outra opção é usar mais cores como base, é o que fazem os pintores que não usam só as três cores primárias, para facilitar as coisas eles usam como base uma seleção de cores - dependendo dos tons que usam mais - a partir do qual obtém todas as outras cores.

No caso das mulheres que têm mais um sensor, seria necessário adicionar mais uma cor primária. Que cor é essa? Bem... não há nome, para essa cor. Tanto quanto percebi, no caso das mulheres que têm um quarto tipo de sensor, o sensor extra é relativamente parecido com um dos anteriores, assim, embora tecnicamente tenham quatro tipos de sensores, não é óbvio para elas que de facto estejam a ver toda uma nova dimensão de cor. Muitas delas sentem, quando muito, uma maior sensibilidade em certas zonas do espectro cromático.

Isto acontece, no caso dos humanos, só com as mulheres porque a informação genética para estes sensores está no cromossoma X, como as mulheres têm este cromossoma em duplicado, por vezes surge este quarto sensor. É também por esta razão que as mulheres praticamente não têm problemas de daltonismo. No caso dos animais com quatro sensores, é provável que muitos deles vejam cores adicionais realmente diferentes das que nós vemos, mas como eles não falam, continuamos a não ter um nome para essas cores.

Ver uma cor adicional é como conseguir imaginar mais uma dimensão espacial: teoricamente faz sentido, mas o nosso cérebro não tem um sentido intuitivo para ela. Imagine que os humanos não tinham o sensor de vermelho, o mundo seria para toda a gente como na foto à esquerda, não havia nem nome nem ideia de vermelho. Se alguém tivesse nascido, por acaso, com o sensor do vermelho passaria a ver o mundo como na foto da direita... mas não seria fácil explicar aos outros o que estava a ver! Ganhar um sensor de cor adicional deve criar uma sensação parecida com conseguir ver uma quarta dimensão!

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