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Expresso

As pessoas mais simétricas são mais atraentes?

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Quando se mostram várias caras e se pede às pessoas para escolherem as mais atraentes, as mais simétricas têm uma tendência para ser escolhidas primeiro.

O episódio desta semana é sobre simetria, em particular sobre a simetria do corpo humano. É ver:

É um facto que há vários estudos que apontam para uma correlação entre o nível de simetria de uma cara e o quanto essa cara é considerada atraente. Há inclusivamente estudos que mostram que essa preferência é mais notória quando as pessoas estão a avaliar caras do sexo oposto. Ou seja, as mulheres têm uma maior tendência para escolher como mais atraentes as caras masculinas mais simétricas, mas quando se pede a essas mesmas mulheres para escolher de um conjunto de faces femininas as que consideram mais atraentes, a simetria já não joga um papel tão central. O mesmo se passa entre os homens. Isto reforça a teoria de que, de facto, estamos ‘programados’ para ter em conta o nível de simetria dos potenciais pais dos nossos filhos.

Mas claro que isto não pode ser a história toda, há seres vivos que nem sequer têm visão e também são simétricos, como é o caso de muitas plantas. Claro que se poderia argumentar que estas espécies evoluíram para ser ‘atraentes’ para outros seres, por exemplo as abelhas que contribuem para a sua polinização, ainda assim, há seguramente espécies que não dependem das abelhas e têm algum tipo de simetria.

Para além da teoria de que o nosso cérebro simplesmente gosta de coisas simétricas, diria que também somos simétricos para sermos mais simples de descrever ao nível do ADN. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, o ADN não contém informação sobre a posição de cada molécula ou célula do nosso corpo, não se trata de um mapa detalhado, que especifica onde deve ser colocado cada bloco do nosso corpo, é por isso que gémeos idênticos têm impressões digitais diferentes. O ADN é mais um livro de instruções de como formar um ser vivo, em vez de dizer exatamente onde deve ser colocada cada célula, dá indicações de como criar processos que levam a um certo fim. Desse ponto de vista, faz sentido uma certa simetria. Imagine-se por exemplo uma flor: o que é necessário é codificar o esquema de construção de uma pétala e depois é só mandar repetir. De certa forma, um organismo com simetria é mais simples de descrever ou codificar em termos de ADN.

É giro e ao mesmo tempo frustrante tentar encontrar razões evolutivas para sermos como somos. Há seguramente toda uma mistura de causas e aleatoriedade neste processo evolutivo. A natureza não está preocupada em ter uma causa isolada para justificar um certo efeito. Somos simétricos provavelmente por todas estas razões e mais algumas. Ou então somos assim... simplesmente porque somos assim.

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