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Expresso

Somos todos um pouco cegos

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Tape o seu olho esquerdo e foque a cruz com o seu olho direito, afaste e aproxime a cara do ecrã, vai haver uma posição, em que o coelho desaparece!

A distância a que isto acontece depende do tamanho do ecrã onde estiver a ver a imagem, acontece quando a distância da sua cara ao ecrã for cerca de 3 ou 4 vezes a distância da cruz ao coelho.

Curioso? Este é o nosso ponto cego! Antes de lhe explicar o que está a acontecer, é melhor ver o episódio desta semana sobre a câmara escura.

Tal como vimos, o nosso olho é uma câmara escura, as imagens são projetadas no fundo do olho. Nessa superfície há uma camada de células sensíveis à luz que captam a imagem projetada e transmitem ao cérebro. Há uma ligação direta dessas células ao nosso cérebro, que passa por um ‘buraco’ no fundo do nosso olho, essa ligação é o chamado nervo ótico e pode ser visto na imagem abaixo.

Acontece que na zona onde o nervo ótico sai do globo ocular não há células sensíveis à luz, o que provoca o chamado ponto cego. Quando a imagem é projetada no fundo do nosso olho, tudo o que é projetado nesta zona, na prática não é visto por nós. É por isso que quando colocamos a cabeça numa certa posição o coelhinho desaparece, essa é a posição em que o coelho fica projetado exatamente em cima no ponto cego.

À primeira vista, seria de esperar que tivéssemos constantemente uma zona escura no nosso campo de visão, provocada pelo nosso ponto cego. Curiosamente nem sequer damos por isso. Isto acontece por duas razões. Em primeiro lugar porque temos dois olhos, a parte que não é visível por um dos olhos é visível pelo outro olho, o nosso cérebro corrige a imagem e nós nem damos por isso. Por outro lado, mesmo que fechemos um olho, como foi o caso na experiência anterior, o nosso cérebro completa a imagem de forma automática. No caso acima o fundo era branco e quando o coelho desaparece, o nosso cérebro substitui por um fundo branco. Se o fundo fosse de outra cor o nosso cérebro completaria aquela zona da imagem com um fundo da mesma cor. Experimente voltar a fazer o teste com o coelho dentro de uma jaula.

Como pode ver, o coelho desaparece, mas as grades da jaula não. O que se passa é que mais uma vez o nosso cérebro não vê a zona onde o coelho está, portanto completa a imagem com o que lhe parece ser mais razoável, o padrão de linhas das grades.

É caso para dizer: não podemos confiar nem no que vemos com os nossos próprios olhos!

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