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Expresso

Para que servem as dobrinhas nas nossas orelhas?

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Quando alguém nos chama, geralmente conseguimos identificar a origem do som e olhar diretamente para a direção onde essa pessoa está. Como fazemos isso?

Esta semana respondemos a esta curiosa pergunta. É ver o vídeo!

Na verdade, esta não é a única forma que temos para determinar a origem de um som. Há outras formas que usamos de forma automática e inconsciente. Uma delas é analisar a intensidade do som. Quando o som vem de um dos lados da cabeça, geralmente chega com mais intensidade a um dos ouvidos. Isto porque as ondas sonoras têm alguma dificuldade em contornar a cabeça para chegar ao outro ouvido. Isto acontece de uma forma mais acentuada com sons agudos (os sons com uma maior frequência, portanto com menor comprimento de onda): têm mais dificuldade em contornar obstáculos e logo são sentidos com uma maior diferença de intensidades pelos dois ouvidos.

Outras vezes, quando não temos a certeza de onde um som vem, viramos a cabeça para direção diferente e reavaliamos a situação. Quem tem um cão ou gato certamente reconhece facilmente este comportamento. Quando não conseguimos identificar a origem do som dentro do cone da confusão, viramos a cabeça para outra posição, na prática para criar um cone da confusão diferente. Ficamos desta forma a saber que a origem do som está na interseção dos dois cones, o que torna a identificação da direção mais fácil.

Uma outra vantagem de colocar a cabeça noutra posição é aumentar a probabilidade de identificar a origem do som visualmente. Por experiência já sabemos que certos sons estão associados a um tipo de origem, assim usamos a visão como auxiliar neste processo. De qualquer forma, parece claro que o movimento típico de cabeça quando estamos à procura de um som não tem como principal finalidade o uso da visão, caso contrário faríamos movimentos contínuos. Tipicamente reposicionamos a cabeça, mas voltamos a ficar imóveis e atentos ao que ouvimos nessa nova posição.

Ainda assim, mesmo com todas estas estratégias, ainda podemos ser enganados... e acharmos piada a isso. É o que acontece quando estamos na presença de um bom ventríloquo. A arte do ventríloquo está em anular todas as indicações visuais que apontam para as suas cordas vocais e criar essas indicações um pouco ao lado, no boneco. Embora as indicações sonoras apontem para o ventríloquo, aos nossos olhos apontam para o boneco - e como, além disso, achamos piada ao resultado, deixamo-nos levar pela ilusão.

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