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Fictiongram

bebo para me lembrar que bebo para esquecer

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A mulher tinha dito que nunca mais iria pedir dinheiro emprestado. Aos trinta anos seria de esperar que tivesse capacidade para se sustentar. Estava a trabalhar num restaurante, terminara o mestrado e desistira do doutoramento por falta de ambição e de alento. Servia às mesas e tentava estar alheada, não pensar em nada: um bife grelhado mas sem alho; um arroz de pato sem salada; um café com pau de canela; uma posta de peixe de espada preto... A sua cabeça estava ocupada e nem sentia os pés, deslizando de um lado ao outro da sala. Não tinha tempo para ver nada, nem para se queixar. Alguém pedia conta, outra pessoa agradecia se fosse possível ter um palito, outra ainda queria uma garrafa de água fresca.

Ao fim do noite iria ter com os amigos e beber, beber para esquecer.  No dia seguinte, a mulher iria ligar à mãe e pedir o tal dinheiro que precisa para pagar a renda de casa.