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É para a minha mãezinha

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Chamava-se, et pour cause?, Jaime e tinha uns olhos verdes infinitos. Foi isso que lhe disse quando foram apresentados na editora, o escritor pronto a assinar em série, qual máquina, livros atrás de livros com dedicatórias idiotas tipo “Um abraço”, “Com amizade”.

Era sempre isso. O assistente editorial a querer saber se ele não se importava, se fazia o jeitinho, de assinar para a mãe. Ou era para a mulher? Não sabia dizer. O certo é que Jaime, o Jaime real, estava a fumar à janela, num gabinete cuja vista dava para o local onde o escritor assinava livros para jornalistas que nunca falariam da sua narrativa, do trabalho de linguagem, da espessura (talvez profundidade seja melhor) da história que publicava então.

(Fictiongram é uma ficção iniciada no Expresso Diário no dia 1 de Julho de 2015)