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Como se abandona um filho?

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“Não, não, a minha avó foi quem me salvou. Estava a ouvir os meus pais ontem à noite e percebo agora que não os entendo e tão pouco os conheço. Não sei nada deles. O Martim pode ser estranho, estouvado, parvo, porém sempre o tive como um irmão e não entendo como é que o criaram e nunca lhe disseram que tem uma mãe e, já agora, também não entendo a tua mãe, como é que se dá um filho? Desculpa, não estou a criticar, ou melhor, estou, mas terás de me desculpar, não percebo algumas atitudes, eu nunca abandonaria um filho. Claro que a tua mãe era muito nova, muito mais nova do que eu sou agora, e teve o Martim e depois teve-te a ti e ao Jaime e fez a vida dela, mas mesmo assim, sabia que o seu primeiro filho estava aqui, em Coimbra. Não quero entender. Só quero voltar para Lisboa.”

(Fictiongram é uma ficção iniciada no Expresso Diário no dia 1 de Julho de 2015)