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Morrer é sempre fácil

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Laura fez sinal ao filho mais velho, a cabeça na direcção do jardim, o olhar fixo. Paulo percebeu que era melhor segui-la. Seria possível fazer as perguntas que se acumulavam desde a noite anterior? Laura disse: “Tu não vais entender, Paulo.”

“Experimenta.”

“Morrer é fácil, perder a consciência não é fácil. Eu estou a perder a memória. Perco-me.”

“Não estás a exagerar?”

“Não viste os bilhetes pela casa? É uma forma de me tentar lembrar. Até de dar de comer aos gatos. Não consigo.”

“E vieste para aqui porquê?”

“Eles devem-me isso. Têm de tomar conta de mim. ”

“Porque? Que disparate é esse?

(Fictiongram é uma ficção iniciada no Expresso Diário no dia 1 de Julho de 2015)