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Expresso

E o desconhecido assusta

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Jaime conseguiu ouvir o relato do irmão com alguma dificuldade. O álcool toldava-lhe as palavras, tornando-as imprecisas. Tinha deixado Martim numa discoteca e andara até a casa, não sabia quantos quilómetros, mas muitos, pareciam-lhe muitos passos numa Lisboa fria. Quando viu a sms do irmão a pedir para ligar fosse a que horas fosse, percebeu a urgência pela forma como o coração desatou a gritar no peito. Pontadas. Repentes vertiginosos que o obrigaram a parar. Respirou fundo e ligou para o número de Paulo, o único que tinha em marcação rápida, o único que sabia de cor. Depois ouviu, atento, a história incrível de como tinha um meio irmão, não um irmão, só meio, assim o consagrava a lei portuguesa, por ser filho da mãe. Laura tinha sempre mais uma surpresa. Explicou a Paulo que tinha estado com Martim, um acaso e como se sentia enjoado, pronto para vomitar. Eram quase duas da manhã. Paulo pediu-lhe calma. Jaime quis saber onde estava.

“Em casa dos pais da Carmen, com a mãe.”

“E a Carmen está aí? Vais ficar aí a dormir?”

Paulo olhou para o lado, viu o rosto imperturbável da ex-namorada do irmão a dormitar no sofá da grande sala de estar.