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Quando a verdade não liberta

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Laura manteve-se em silêncio, certa de que Carlos conseguiria dominar o histerismo de Maria Luísa que, depois de tanto rir, se queixava de uma dor de cabeça explosiva, pronta para berrar de dor, instável, eléctrica. Paulo não se mexia. Mantinha-se sereno e Carmen, ao seu lado, tentava não olhar para a mãe. Laura teve pena dos dois. Depois teve pena de todos. Carlos vivia com Maria Luísa por imposição do estatuto, Coimbra também tinha esse encanto. Maria Luísa castigava-o, ainda agora, por ter libertado o coração num outro território. Laura ouvia tudo com atenção. Tinha-se deixado vestir de forma apropriada pela antiga amiga e, naquele momento, só tinha vontade de rasgar o vestido azul escuro, deitar as pérolas ao chão e exigir qualquer coisa que não sabia nomear. A liberdade dela nunca fora verdadeira. Laura entendia agora que nada, nada na sua vida, era mais do que um adiar do encontro com Maria Luísa e Carlos, como se a ligação entre eles fosse essencial para um significado real.