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Expresso

Quando o incesto foi uma possibilidade

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Havia ali vários enganos e um mal estar crescente. Laura sabia que iria rebentar, fazer explodir a bolha da decência e manchar o resto do serão com palavras que seriam outra guerra, um conflito desconhecido de Paulo ou de Carmen, uma história antiga que a ligava a Maria Luísa e a Carlos. Estragar a harmonia era a sua forma de estar e, reclamando uma liberdade que Maria Luísa condenava, Laura explicou o inexplicável.

“Nós somos os pais do teu irmão, Carmen. Eu sou a mãe, Maria Luísa é a mãe adoptiva. Carlos é o pai. Martim é teu irmão, Paulo.”

Maria Luísa, em sobressalto, mexendo-se de repente, encarou Paulo com surpresa. Houve uma interrupção no correr do tempo, ficaram todos suspensos e, por fim, Carmen riu, riu de forma histriónica, sem qualquer elegância.

“Muito bem, muito bem. Portanto, não foi incesto por pouco.”

Carlos, regressado à sala nesse instante, interrogou: “Incesto?”

Prático, recuperado do espanto e da dor, Paulo explicou que Carmen namorara o Jaime, seu irmão, filho de Laura e, desse vez, foi Maria Luísa quem se riu até que as lágrimas começaram a surgir no olhos azuis transparentes.

“Não foi incesto, mas foi por pouco. O teu pai não é o pai do Paulo ou do Jaime.”