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Expresso

Quando um quarto é uma pintura

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Maria Luísa estava deitada. Os olhos semicerrados. Parecia uma senhora dentro de uma tela barroca, as rendas da camisa de dormir, o folho do lençol, a cama em dossel. Tudo estava parado no tempo. Maria Luísa mantinha uma das mãos junto ao peito e via-se um cristo redentor de ouro, pendurado no seu pescoço. O silêncio dominava a cena e Carlos, indiferente, já não absorvia nada e tão pouco se cuidava nos esforços para não fazer barulho. Entrou no quarto com à-vontade. Laura ficou à porta.