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Expresso

E ser certinho mete nojo

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Paulo fez a auto-estrada com irritação, com a ideia absurda de estar apenas a ser um filho perseguidor, um mini marido, controlador. No dia anterior, uma paciente tinha-lhe dito que o filho mais velho era uma espécie de marido, ele que controlava as contas, os jantares, os humores da mãe, mesmo tendo apenas treze anos. Paulo ouviu a mulher com atenção, era o que fazia sempre, ouvia com atenção. Talvez nunca tivesse dado à mãe, a Laura, essa possibilidade. Estava demasiado zangado com ela. Consigo. Importava perceber que acatara o exercício de ser quem Laura precisava que ele fosse, mesmo que isso fosse, por si só, uma castração. Paulo conduzia dentro dos limites da lei e até isso o enjoava, ser certinho e aplicado. Carregou no acelerador e chegou a Coimbra em menos de uma hora. Onde procurar Laura, era outra questão.