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Expresso

E o menos que sentia ser

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Carmen chegou a Coimbra era o fim da tarde. O corpo denunciava o cansaço e, dentro dela, a ansiedade crescia. Uma espécie de guerrilha entre a cabeça e o corpo: a cabeça a debitar perguntas, a reviver momentos, frames da vida; o corpo a pedir o regresso a casa, a Lisboa, numa agonia de antecipação centrada no rosto da mãe, Maria Luísa. Não podia correr para casa da avó, não podia sentir-se feliz de novo. Pensou ainda em Jaime e na forma como não estavam um no outro, nunca tinham estado. Enganara-se. Iludira-se. Ele era agora uma imagem difusa. Era uma das suas especialidades. Carmen voltou à sensação que a diminuía, não saber lidar com o todo da sua vida. E com o menos que sentia ser.