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Expresso

Quando a ausência de Laura parte o silêncio

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Paulo cirandou pela casa. Estava tudo com aquele ar de desleixo ​a que a mãe se habituara. A rebeldia passara a uma depressão que a mantinha na letargia sem qualquer energia. Ele sabia que não servia apenas medicá-la, era preciso mais do que isso. Laura sempre se recusara a fazer terapia.

“Tu não sabes nada do que eu passei, Paulo, não vou fazer terapia. Cheguei aqui. Estou aqui. A vida é isso.”

No quarto encontrou vestígios do último homem com quem a mãe estivera. Não fazia um esforço para o recordar, porém teria de reconhecer que tudo piorara quando ele abandonara a casa, a relação. Laura explicara:

“Nunca deu. Arrastámos isto para nada.

O “isto” era o plural composto pelos dois.