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Expresso

Quando o inesperado acontece

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O silêncio não tinha uma dimensão possível de se medir. O tempo congelou. Ouviu-o respirar do outro lado da linha, porventura um suspiro, a noção exacta do disparate cometido. Carmen precipitou-se de forma juvenil:

“Olá, estás bem?”

“Não. Não estou.”

“Posso ajudar?”

“Ninguém pode.”

“Jaime, estás muito dramático, diz lá o que se passa.”

“Não tenho ninguém com quem falar.”

“Tens o teu irmão, o Paulo.”

“Saíste com ele.”

“Sim.”

“Foi bom?”

“Sim.”

Jaime esperava outro tipo de resposta. Levantou-se e observou a vista hedionda que a cidade tinha naquele ângulo, apenas um espelhar da sua perturbação, cores esbatidas, lixo, contentores.