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Expresso

Quando a gentileza marca o momento

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Paulo fora gentil, teria de admitir que a palavra acertada era essa: gentil. Bom ouvinte, incapaz de uma interjeição que a obrigasse a parar o discurso que, subitamente, lhe parecia crescer dentro do peito, um esgar, ou um vómito, pronto para ser expulso. A necessidade de expor, de dizer, falar sem controle, numa velocidade estranha e ele, sem interromper, atento, olhando Carmen nos olhos, à espera. Não podia dizer ao irmão que tinha cometido um erro, a ex-namorada era, afinal, uma mulher interessante. Por isso, respondeu a Jaime com poucas palavras, sem desviar o olhar da televisão muda do apartamento da mãe:

“Carmen? Não sei. Porque perguntas?”

“Saíram juntos da festa...”

“Isso não foi nada”