Siga-nos

Perfil

Expresso

Onde o verbo confrontar não se desfaz

  • 333

Carlota estava preparada para um ataque. Carmen imaginara uma amiga tagarela, a fazer graças sem riso, a empatar, porém tinham despachado no primeiro assalto as palavras mais duras. Carlota teria achado piada a Martim. Paulo odiava Carmen um pouco menos e, embora não tivesse​ dito a ninguém, ficara com a certeza, ao ver​ o tal V irritante que o Facebook coloca nas mensagens lidas, que ela lera a ​mensagem que lhe escrevera​

“Carmen. Ficaste bem? Não te liguei, não tenho o teu número. Beijo Paulo”

Não percebeu exactamente a necessidade da assinatura. Percebia nas entrelinhas uma justificação e isso fê-la sorrir. Adiava o momento de responder por inépcia, por não ter as palavras certas. Carmen teria partilhado este acontecimento com Carlota sem hesitação. Haveria um burburinho quase adolescente e uma troca de possibilidades. Concluiu que a amizade não estava aí, nessa dimensão feliz das confidências. Seria preciso manter o confronto, para que ambas conseguissem regressar ao um estado normalizado de serem uma na outra aquilo que sempre tinham sido.