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Expresso

Onde ficar pendurada é a realidade

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Paulo pediu um uber. Recebeu uma sms a dizer que o motorista Hugo estaria à porta do consultório dali a quatro minutos e quatro minutos era manifestamente pouco para o que precisava de fazer, porém não se apressou. A ideia de a mãe destruir mais um dia era-lhe insuportável. Pensava em Jaime perdido na casa desleixada​. No tempo que passaria a explicar que a mãe tinha uma depressão diagnosticada, que o terceiro marido a tinha deixado há mais tempo do que ela aceitava ou dizia. Laura disfarçava sempre:

“Não, não, estou sozinha. Há muito trabalho, sabes? Ele tem de trabalhar.”

Paulo acatou durante uns meses. Depois recebeu uma chamada da gestora de conta da mãe, conta que tinham os dois no mesmo banco, desde sempre, parecia-lhe, embora ainda conseguisse recordar o dia preciso em que lhe dissera:

“Mãe, vamos a abrir uma conta no banco os dois, para que não fiques pendurada.”

“Pendurada, Paulo?”

“Pendurada, mãe.