Siga-nos

Perfil

Expresso

Onde Paulo ouve uma doente

  • 333

Paulo tentava explicar à sua paciente que o melhor seria rever a matéria dada. Na verdade, o que lhe apetecia dizer era: “Conheço a sua tipologia de ginjeira.”

Mas não o disse. A mulher à sua frente ainda tinha auto-estima. O casaco combinava com a mala, os sapatos de salto alto estavam impecáveis, não eram sandálias de borracha. Podiam ser. Ela não era ainda um farrapo, era apenas alguém que precisava de uma reorganização, de ver a vida através de outra janela, outra perspectiva. E foi isso que Paulo foi afirmando, aqui e ali interrompendo o discurso perto do lacrimejante, até que passaram os sessenta e cinco minutos, os minutos da sessão e a tolerância, e teve de se despedir.