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Expresso

Onde o mundo de Paulo não gira

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Paulo mantinha um consultório com alguma facilidade. Já trabalhava há anos suficientes para saber como manter uma clientela. O que contava era o boca à orelha, portanto o profissionalismo importava, a par da empatia. Paulo, sempre tão fechado, era profundamente carismático na sua reserva e, por qualquer razão insuspeita, os doentes não sentiam nenhum constrangimento. Podiam dizer tudo, Paulo estava lá para eles, atento, capaz de fazer prosseguir as sucessivas narrativas de vida. Pouco falava, ou melhor, falava o estritamente necessário, mas a maioria dos seus doentes não o entendia assim. Paulo era o equivalente a um estado de conforto.