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Expresso

Onde o silêncio é igual a culpa

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Saber não sabia, intuía. Carmen não tinha como entender a relação entre eles, talvez ninguém conseguisse. Nem Laura, a mãe. Havia dias em que os dois irmãos se mantinham num silêncio que sufocava o mundo, um silêncio só deles, incompreensível, sem possibilidade de destruir barreiras. Para Laura esses momentos eram vividos com uma certeza de culpa, a culpa dela, só dela, por os ter criado nómadas, estrangeiros à estabilidade. Paulo quebrava o silêncio com uma palavra qualquer e os irmãos começavam a interagir com o mundo como se não estivessem dentro de uma ideia de pausa, de paragem.