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Expresso

Onde desculpa não cabe num abraço

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Laura visitava-os. Não como gostaria, nem sempre sozinha, mas visitava. Quando se abraçavam os três, Jaime ouvia-a suspirar. Era um momento que durava muito mais do que o seu corpo pequeno gostava de aguentar. Sentia-se pendurado. Depois sem ar. A seguir a vacilar. A mãe insistia um pouco mais, como se naquele aperto fosse possível dizer tudo o resto, até a palavra desculpa. Paulo fechava os olhos. Jaime tentava não ver o irmão de olhos fechados. Contou tudo isto a Carmen, foi a primeira mulher a quem contou tudo. Ou quase tudo. Da intimidade disse pouco por não saber como explicar o sentimento estranho de pertencer apenas a uma pessoa, a Paulo. Ele, Jaime, era apenas de Paulo. Ligava-os o silêncio das noites frias, as gargalhadas, um certo mimetismo controlado, nada que os fizesse parecer gémeos, afinal Paulo era mais alto, inteligente, capaz. Era assim que Jaime o via.