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Expresso

Onde a mãe é diferente das outras

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A mãe dizia: “Não chores, não chores.”

Jaime sentia a falta do irmão. Deixou de falar. Paulo diria, muito mais tarde, que era um cenário ‘clássico’ de abandono. Laura podia ser diferente de todas as outras mães, podia ser ‘saliente’ – assim a designara a directora da escola -, porém era solidária. Durante meses, para que Jaime não chorasse tanto, Laura ficava à porta da escola com ele. Sentavam-se debaixo da árvore gigante que, reflexiva, deixava a sombra a protegê-los até às quatro da tarde. Paulo saía a correr, a bata cor de laranja cheia de nódoas. Jaime levantava-se e o abraço era imenso, não tinha fim. Era mais do que irmãos, eram protectores de Laura. Do céu que tinham em cima da cabeça.