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Expresso

Onde as palavras são assinatura

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Jaime ouviu a mulher falar sem entender uma palavra. Era bom estar assim, focado nos lábios dela, a dança dos lábios, da língua, da boca que engolia um risotto qualquer, o vinho tinto a ser pintor, roxo, roxo nos lábios que não se calavam. Jaime nunca gostara de Carlota. Nunca gostara muito, nem pouco. Não pensara nisso. Estava fascinado com a boca dela e percebia na sua entoação algo de familiar, um registo, uma forma de falar com certas palavras. Percebeu que as palavras ‘Evidentemente’, ‘Sabes?’, ‘Pois...’ eram palavras que Carmen usava. O mimetismo das amigas perturbou-o. Manteve-se calado. Quando tirou os óculos, por fim, Carlota sobressaltou-se:

“Jaime! O que aconteceu?”