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Expresso

Onde a mudança é uma ilusão

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No pequeno restaurante bem afamado, Jaime manteve os óculos escuros. Carlota estava atrasada. Pediu uma cerveja. Depois considerou, voltou atrás, viu a carta de vinhos, escolheu um alentejano. Carlota gostava de bom vinho. Na penumbra segura das lentes graduadas, o restaurante era um enorme desconhecido, pessoas a comer e a falar, pessoas que não sabiam nada de nada sobre a forma como o mundo gira dentro da cabeça de Jaime. O irmão tinha-o avisado:

“És o que és, não vais mudar.”

“Preciso de mudar, Paulo.”

“Não funciona assim, Jaime, desculpa. Para mudares tens de querer mudar e tu não acreditas nisso. Não verdadeiramente.”

“Não sabes nada sobre mim.”

“Sei tudo, mano, sei tudo.”