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Expresso

Onde o silêncio se fez de gritos

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Carmen não gritou, nem chorou. Lembra-se de ter inclinado a cabeça para a esquerda, como alguém que quer ouvir o coração e ouviu-o, com clareza, um cristal que se encolheu. Por fim, fez um gesto com a mão, um movimento apenas, o suor escorria pelo cabelo já, passou a mão na testa e, por fim, fechou os olhos. Deixou-se ficar ali até que sentiu que ele tinha recuado até à porta, os passos dele, o corpo a mexer, a mão que pegava no saco, a porta a fechar. Ela deixou-se ir até ao fim do mundo no chão da cozinha e então gritou.