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Expresso

Onde o medo passou a enjoo

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Recuou. Ouviu em silêncio – ela que não sabe escutar, quantas vezes lho disse? – sem desviar o olhar, sentindo que o coração podia desfalecer a qualquer segundo, de tanto bater, sincopado contra a sua pele. Sentiu o cheiro do desgosto, o suor a descer junto ao peito, a crescer nas axilas. Teve um ligeiro enjoo, uma tontura. O cheiro que se apoderava do seu corpo era violento, era a morte que chegava. Carmen pensou nisso assim. Não teve a capacidade de dizer nada. Ouviu:

"Ninguém merece viver assim, sabes? Ninguém."