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Expresso

Onde os defeitos dela são como um menu de um restaurante

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Ainda o vê, o corpo dele a baloiçar, hesitante, à espera do ruído da voz dela, da avalanche das lágrimas reveladoras da intensidade de tudo. Ele a acusá-la de ser, todos os dias, demasiado. Carmen, ela. Demasiado tudo, dramática, obsessiva, estranha, compulsiva, nervosa, frenética. E o corpo dele, na despedida, mostrava como a temia, o embate que sabia ser capaz, a guerra que só ela podia provocar. Foi aquele gesto do corpo dele, um baloiçar no pé esquerdo, as mãos a esfregarem as calças, nervosas, suadas, brancas, esguias, despidas das mãos delas, o olhar cansado e as palavras esgotadas. Tudo isso a travou. Carmen não seria capaz de se transformar num furação. O medo dele fez-lhe medo.