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Expresso

Onde se explica como começa esta história

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Eu não sou o teu nome

Casámos há seis anos. Todos os dias penso em ti.
Carmen ouve-se e, na devolução do silêncio, sente que se perde como uma criança que larga a mão quente da mãe. Ainda pensa que pode o dia ser interrompido por outro som; aguarda. Ruídos da casa de banho, passos no andar de cima; fecha os olhos e deixa-se imaginar o barulho infernal da cidade condensado numa tortura que é só sua. Apenas sua.


Carmen.

Não pode perceber como o seu rosto chegou até ali. Por princípio evita os espelhos. Hoje não é um dia como os outros, qualquer outro dia em que consegue, apesar de tudo, consegue esquecer a solidão, a tristeza dos olhos... Como era que tu dizias?

Olhos de caramelo.