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"Problema do assoreamento pode levar à decadência da Marina"

Quem o afirma é Paulo Neves, presidente do Clube Naval Povoense, instituição que dirige o equipamento, e que tem em mãos um grande problema de assoreamento, que não permite colocar os barcos em terra e vice-versa. Em causa está também navegabilidade do local e a sustentabilidade financeira da Marina

Como está a situação do assoreamento junto à rampa de acesso dos barcos para terra? 

Está um processo complicado. A areia está avançar para o lado errado, e o que nos revolta é que é uma situação simples de resolver, que pode ser feita com um retroescavadora. Mas estamos proibidos pelo IPTM, que soube agora que foi extinto, de fazer alguma coisa. Estamos aguardar de quem será a tutela daquela área para saber o que podemos fazer. A principal preocupação nem é tanto o acesso à rampa, mas sim os problemas em aceder à grua do pórtico, um equipamento de milhares de contas, que nos dá alguma receita, porque todos os barcos aqui à volta a usam para fazer a manutenção em terra, pelo menos uma vez do ano. Estamos preocupados com isso. Já estamos a desmontar parte de cais A para que os barcos possam passar. Mas essa não é a solução definitiva... 

E a situação têm se agravado? 

Sim, desde o início deste ano, e a partir de Fevereiro houve um movimento muito grande de areias que tem piorado a situação. 

Até quando a situação provisória será viável? 

O movimento da areia não é algo previsível. Até pode começar a recuar, mas será difícil, depende das marés e correntes, mas penso que no fim deste ano já não podemos passar no pórtico. 

Que principal dificuldade isso trará? 

A Marina continua a receber barcos, o que é difícil é colocá-lo em terra. Outra coisa é que as embarcações de maior dimensão não podem ficar no mar no Inverno, devido à ondulação, e colocá-las em terra está a ser condicionado por isso. Além disso, pode dar-se algo ainda mais grave, com os barcos que já estão em terra, e que os proprietários quererem colocá-los no mar e não o vão conseguir. E ai vamos ver quem vai arcar com as responsabilidades e as indemnizações. Os alertas já fizemos a toda gente. Se vier a acontecer um problema mais grave não será o Clube Naval que vai assumir. 

Que volume de facturação esse problema pode afectar? 

Temos um volume de 300 mil euros anuais, e será 40 por cento da nossa receita. O Clube e a Marina dependem muito dessa receita. Temos despesas muito grandes com a manutenção dos equipamentos e se perdemos esse dinheiro não iremos conseguir substituir algumas estruturas, precipitando a decadência da Marina. É isso que queremos evitar. É uma coisa que se resolve quase a custo zero, com uma mera autorização. 

E têm algum plano B para superar essa quebra se esta se verificar? 

O Plano B é recusar os barcos grandes, que nos dão uma maior receita, e só aceitar os pequenos. Mas depois desta areia avançar a rampa vai prosseguir para a Marina e depois ainda será mais difícil, porque já só com uma draga a poderemos de lá tirar, numa areia que já não será apetecível para quem a remover e a vender. Com o desespero que estamos, até íamos lá com pás retirar essa areia... 

E que entraves tem colocado o IPTM? 

Que podíamos retirar a areia mas que tínhamos de a recolocar no mar, e isso não conseguimos. Propusemos recolocar areia nas praias de Vila do Conde, onde ela faz falta, mas nem isso nos deixaram. Com extinção do IPTM não temos a quem reclamar. 

A Câmara já se disponibilizou a ajudar? 

Sim, puseram à disposição uma retroescavadora e um camião, mas não temos autorização para a tirar, e não vamos fazer nenhuma ilegalidade.

Noutro âmbito o Clube Naval Povoense comemorou recentemente, os 107 anos de existência, que iniciativas realizaram? 

Não fizemos nada especial, pois não temos orçamento. Gostaríamos de ter feito uma festa, com um jantar de gala, e entregar algumas distinções, mas vamos ter de adiar, não temos verba para isso. 

Capitania garante acompanhar situação 

Sobre o problema do assoreamento, não só da Marina como também do Porto de Pesca, o Comandante Silva Rocha, da capitania local, disse que a autoridade marítima está atenta à questão: "Existe um problema com um cabeço de areia no molho norte, que faz com que a ondulação levante e faça interferência na entrada e na saída da barra. Estamos atentos à situação para a resolver", disse o Silva Rocha, mostrando a mesma atenção para o "assoreamento da Marina", que, segundo ele, está também a ser acompanhado pelo IPTM, mas que entretanto foi extinto, podendo precipitar um arrastar do processo.