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Póvoa Semanário

"Importação" de nadadores salvadores poderá ser solução para evitar fecho de praias

Tudo indica que não haverá efectivos suficientes para a vigilância de todas as concessões de praias da Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Está em estudo a possibilidade do ISN recrutar nadadores-salvadores no Brasil.

Póvoa Semanário

A próxima época balnear poderá estar em risco para algumas concessões das praias dos concelhos de Póvoa de Varzim e Vila do Conde, uma vez que não há, para já, número suficiente de nadadores salvadores para assegurar a vigilância e segurança de todos os areais, estando em aberto a possibilidade de "importar" efectivos oriundos do Brasil.

A garantia foi dada por Carlos Ferreira, presidente da Associação de Nadadores Salvadores da Póvoa de Varzim e Vila do Conde "Os Delfins", instituição que no passado sábado celebrou os primeiros contratos com os vigilantes para esta época balnear (que arranca a 15 de Junho).

Segundo Carlos Ferreira, até ao momento havia apenas cerca de 50 nadadores disponíveis para trabalhar nas praias da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, um número que considera insuficiente para todas as requisições.

"Por exemplo, na Póvoa de Varzim temos 19 concessões, o que necessitará de, no mínimo 40 nadadores salvadores, e que estejam disponíveis a trabalhar a tempo inteiro. Mas se estes 40 não quiserem trabalhar as 10 horas por dia, serão precisos o dobro, ou seja, 80 nadadores salvadores".

Perante esta escassez, Carlos Ferreira não hesita em dizer: "se no ano passado foi preciso fechar quatro praias nos concelhos porque não havia nadadores-salvadores suficientes, este ano, perante os números que temos, mais de metade poderão fechar".

Para evitar ainda maiores problemas, a Associação irá imiscuir-se de fazer a distribuição dos nadadores-salvadores pelas praias, permitindo que sejam os associados a escolher em que areais pretende trabalhar.

"Não iremos beneficiar o concessionário A ou B, por isso, serão os nadadores que vão escolher as praias onde irão trabalhar", garantiu Carlos Ferreira, acrescentando: "Confesso que estou preocupado porque as famílias que dependem da praia poderão sentir muitas dificuldades".

Para tentar cativar e encontrar mais jovens para este trabalho, será leccionado um novo curso de formação, que se desenrolará até ao final deste mês, mas nem isso poderá ser uma garantia que serão encontrados mais efectivos.

"Temos 28 inscritos para este curso, mas a lei não os obriga no final a trabalharem nas praias da Póvoa ou Vila do Conde. Muitos participam no curso para enriquecer o currículo, outro para trabalharem noutras praias, e ainda que vêm apenas como curiosidade, sendo que alguns deles podem até nem ter as aptidões necessárias para completarem a formação com sucesso", analisou o presidente de "Os Delfins".

Apesar dos nadadores-salvadores da região poderem auferir um rendimento de 975 euros mensais, Carlos Ferreira alertou para o facto dos elevados encargos fiscais e com segurança social serem um entrave à captação de mais efectivos.

"Poderão receber, em cada mês - dos três da época balnear - cerca de 975 euros, isto se trabalharem a tempo inteiro, mas como têm de passar recibo, os eventuais descontos são feitos por conta deles", explicou o presidente de "Os Delfins", acrescentando: "Recebemos muitas queixas do valor elevados dos descontos para a Segurança Social. Temos lutado para que haja algumas isenções de taxas, porque, afinal, estamos a fazer um serviço público, de vigiar, prevenir e salvar vidas humanas. O Governo deveria olhar para isso e, talvez, dar mais alguns incentivos".

A escassez de nadadores-salvadores é, segundo diz Carlos Ferreira, um problema nacional, mas que se sente particularmente no concelho de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, devido ao elevado número de concessões (60) existentes na região.

Atento a este problema, o ISN (Instituto de Socorros a Náufragos), está a desenvolver contactos para aferir da possibilidade de contratar nadadores-salvadores de outros países, nomeadamente no Brasil, através de uma associação local, cujos membros são, maioritariamente, militares.