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Expresso

Póvoa Semanário

Aumento do IVA na Luz e Gás potencia "imaginação" na gestão das instituições locais

A partir do próximo mês o IVA destes serviços passará de 6 para 23 por cento. O Póvoa Semanário tentou perceber os impactos que a medida do governo terá em escolas, clubes e instituições de solidariedade social do concelho

O aumento do IVA na factura da electricidade e dos gás natural, que entrará em vigor a partir do próximo mês de Outubro, está a obrigar várias instituições do concelho a adaptar-se a esta nova realidade, para se preparem para um aumento de 6 para 23 por cento.

A medida tomada pelo Governo terá, como se percebe, ainda maior impacto para os grandes consumidores, entre quais instituições que como consumidores finais não podemdeduzir este imposto.

Assim acontece, por exemplo, com o MAPADI, uma instituição de solidariedade social que, a exemplo de outras do concelho, já sobrevivem com dificuldades.

"Tudo o que seja a levar-nos mais dinheiro é complicado e mexe-nos na nossa sustentabilidade. Os apoios são o mesmos, e, em alguns casos, até têm um redução, mas os encargos não param de aumentar", disse António Ramalho, da direcção do MAPADI, completando: "Estamos a aferir as consequências destes aumentos, até porque, recentemente, fizemos um investimento para passarmos a usar gás natural. Agora temos de ter imaginação para enfrentar dificuldades".

António Ramalho não acredita que o MAPADI venha a receber qualquer apoio extra por parte do Estado para suprir este aumento.

Também nos clubes locais, o aumento do IVA na luz e no gás obriga a repensar alguns procedimentos e potencia encontrar nova soluções de contenção para lidar com a situação.

"Estes aumento irá retirar-nos lucro em alguns dos serviços que prestamos e assumir-se como uma despesa acrescida em algumas actividades que fazemos. Sabemos que é uma imposição colectiva, vamos tentar não transferir esse prejuízo para os utentes", disse Caldeira Figueiredo, presidente do Clube Desportivo da Póvoa, falando em medidas preventivas: "Já tivemos a audácia de criar algumas regras, nos últimos anos, que até nem foram populares, mas que agora se revelam providenciais para fazer face a estes aumentos. Conseguimos fazer uma antecipação das dificuldades para agora nos 'iluminar' o caminho".

O presidente do Clube Desportivo da Póvoa sublinhou que medidas como esta "complicam, ainda mais, a vida a quem desenvolve um trabalho de utilidade pública e de cariz social".

Também para escolas do concelho este aumento do IVA em serviços essenciais como a electricidade e o gás obrigará a medidas ainda mais apertadas na gestão dos recursos.

"Vai ter um impacto muito grande nas nossas facturas. Vamos, por exemplo, tomar medidas para atrasar ligação do aquecimento central, para gastar menos gás, e tentar ver se conseguimos poupar ainda mais os gastos com a electricidade", partilhou Eduardo Lemos, director da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim.

O docente garantiu que "haverá um olhar ainda mais atento para os gastos energéticos" e falou na implementação de "restrições, que não pondo em causa as condições de segurança e higiene nem as condições de trabalho, possam permitir poupar algo mais".

Eduardo Lemos garantiu ainda "que não há outro remédio senão o Estado conceder uma ajuda extra às escolas que não tiverem verbas para aguentar este aumento", falando também na possibilidade de "tomar medidas pedagógicas com os alunos no sentido da poupança energética".

Também para a Câmara Municipal, o aumento do IVA na factura da EDP trará um agravamento considerável na despesa mensail, nomeadamente com a iluminação pública, algo que a autarquia pretende amenizar com novas medidas de gestão.

"Já tínhamos feito um esforço para reduzir a despesa com a electricidade, que está em vigor desde Janeiro, e agora temos um projecto para aplicação de redutores de fluxo de luminosidade que permite reduzir a intensidade da luz sem ter necessidade de apagar os candeeiros. Aí poderá haver mais alguma poupança na gestão da luz", explicou o vice-presidente da autarquia, Aires Pereira.

O autarca espera "amortizar este aumento com a redução, já efectuada este ano, na iluminação pública", falando "num esforço que todo o país está a fazer para conseguir superar esta situação", afirmou.