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Gazeta das Caldas

Obras inéditas de cerâmica contemporânea interpretam período pascal em Óbidos

Doze peças no interior da galeria, mais uma no exterior, numa alusão aos apóstolos, compõem a exposição de cerâmica contemporânea "12+1 (por) inspiração", que se encontra patente na galeria da Casa do Pelourinho, em Óbidos, até ao dia 25 de Abril.

Gazeta das Caldas - Fátima Ferreira

A mostra, do Colectivo Três Cês, foi inaugurada no passado dia 2 de Abril (Sexta-feira Santa) com a presença dos autores, Carlos Enxuto, Nicolay Amzov, Ana Lousada e Carlos Neto, Ana Sobral, Carmina Anastácio, Heitor Figueiredo, Bolota, José Pires, Martim Santa Rita, Mário Reis, Miguel Neto, Paulo Óscar e Sérgio Amaral, a maioria ceramistas da região Oeste.

As obras patentes são sinais e simbologias múltiplas sobre os rituais e memórias de interpretação do período pascal, que reflectem a inspiração e valores culturais de cada um dos participantes.

"A nossa preocupação fundamental é contribuir, promover e valorizar uma cerâmica de autor, séria e de qualidade", começou por dizer, na inauguração da mostra, Jean Ferrari, presidente do Colectivo Três Cês, adiantando que espera que o sucesso do evento leve a autarquia a querer desenvolver mais actividades com a sua participação. No espírito destes ceramistas está a vontade de priar em Óbidos um mercado anual da cerâmica criativa portuguesa que pudesse atrair o público e os criadores internacionais.

O ceramista francês mas residente em S. Martinho do Porto, o grande incentivador da criação do Colectivo, agradeceu ainda a todos os artistas que aceitaram o desafio e "empenharam-se em desenvolver trabalhos que cumprem as nossas expectativas, mostrando inteligência do assunto e grande maturidade técnica". Referindo-se ao período pascal, lembrou que este é compreendido como a celebração do sofrimento e morte de Cristo, mas que para o ceramista sobressai a ideia de ressurreição e renascer. "No nosso quotidiano a morte é o imobilismo, se renascer é viver novamente, viver é simplesmente renascer permanentemente", disse, destacando que artistas plásticos, poetas e criadores são quem mais sabe deste assunto.

"Tanto morre o artista que não é capaz de renovar a sua visão, como o ser humano que não é capaz de abrir a porta ao que está cá fora", sintetizou Jean Ferrari.

Ana Calçada, responsável pela coordenação das galerias de Óbidos, salientou que conseguiram criar para a mostra "diferentes linguagens e abordagens técnicas, com perspectivas diferentes, que criaram um todo que espero que seja do agrado dos visitantes". A responsável deixou ainda um repto para que as pessoas visitem o espaço e vejam o que se faz em cerâmica nesta região e no país e como que diferentes linguagens da cerâmica trazem resultados "tão bonitos e inspiradores".

"Cada vez mais acho que há espaço para a cerâmica e para divulgar a cerâmica como uma arte maior", afirmou Ana Calçada.

Reconhecendo que a ligação artística à Semana Santa nem sempre é fácil de fazer, Miguel Silvestre, adjunto do presidente da Câmara, considera que esta exposição a fez "de uma forma exemplar". O responsável falou da Rede de Clusters Criativos, que é liderada por Óbidos e envolve várias cidades europeias de baixa densidade, destacando que a qualidade dos projectos patentes é uma mais valia a nível europeu. "Contem connosco para continuar a apoiar a cerâmica", disse, convidando os criadores a olhar para Óbidos como uma sala de exposições para os seus projectos.