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Gazeta das Caldas

Manuel Nobre recusou liderar nova administração do Centro Hospitalar Oeste Norte em Caldas da Rainha

O ainda presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON), Manuel Nobre, foi convidado para voltar a liderar aquele órgão - que se encontra demissionário - mas recusou o convite, apesar de ainda ter sondado, sem êxito, alguns médicos do hospital caldense para formar equipa.

Gazeta das Caldas - Carlos Cipriano

O Ministério da Saúde ainda não nomeou novo Conselho de Administração, nem diz quando espera fazê-lo, apesar de questionado pela Gazeta das Caldas na passada terça-feira.

Com uma administração demissionária, a gestão do CHON tende a degradar-se, esperando-se que não aconteça o mesmo que em Torres Vedras, cujo hospital esteve quase dois anos em gestão corrente por o governo não ter nomeado uma nova equipa.

Para o CHON a tutela deverá escolher apenas o futuro presidente, que se encarregará de formar uma equipa com pessoas da sua confiança. O objectivo é obviar um erro congénito do actual Conselho de Administração demissionário, formado por pessoas de origens diferentes, que foram "obrigadas" a trabalhar de forma colegial numa fusão, imposta pela tutela, de três hospitais (Alcobaça, Caldas e Peniche), transformados subitamente numa única entidade (CHON).

A especificidade do hospital caldense, cujo património e área fazem dele quase um segundo município, não terá sido bem compreendida por todos os elementos da administração, mais habituados a uma gestão hospitalar "tout court", voltada para os cuidados médicos.

Daí a incompatibilidade, logo à partida, entre os administradores vindos de Peniche e de Alcobaça (Alexandre Farinha e Adelaide Afonso, respectivamente) e os "caldenses" Manuel Nobre, Rosário Sabino e Manuel Ferreira. Terá sido, inclusivamente, uma notícia da Gazeta das Caldas acerca de investimentos na antiga Casa da Cultura e na Parada, que suscitou algumas discordâncias no Conselho de Administração acerca da aplicação dos recursos do CHON.

Neste particular, a administradora Rosário Sabino foi frequentemente acusada por alguns dos seus pares de "despesista".

Conciliação difícil para equipa formada artificialmente

Por outro lado, e no que dizia respeito a decisões acerca do hospital das Caldas, a administradora Adelaide Afonso reivindicava idêntico tratamento para o "seu" hospital de Alcobaça, como se este tivesse a mesma dimensão do caldense.

As discussões no Conselho de Administração tornaram-se frequentes nos últimos meses, tendo, a poucas semanas da formalização do pedido de demissão, chegado a agressões verbais e a um ambiente dificilmente compatível com a boa gestão de uma instituição que é, no caso das Caldas, simplesmente a maior empregadora do concelho - 1500 postos de trabalho directos e indirectos.

Manuel Nobre terá procurado sempre consensos impossíveis, evitando exercer a sua autoridade de presidente de um órgão que, sendo colegial, deve ter liderança e pensamento estratégico, coisa que não chegou a existir (apesar de, neste caso, por culpa da tutela e das suas indefinições acerca do futuro do CHON, com particular relevo para o Hospital Termal).

A situação financeira do Centro Hospitalar tem vindo a agravar-se, embora já seja grave há muitos anos. O hospital das Caldas esgota-se no serviço de urgências, onde são pagas autênticas fortunas a médicos em horas extraordinárias e a empresas fornecedoras de médicos para assegurarem aqueles serviços. Em Peniche, uma dessas empresas já não recebe há alguns meses.

Nas Caldas gerou controvérsia o facto de algumas consultas externas estarem a funcionar em equipamentos amovíveis, cujo aluguer custa mensalmente milhares de euros aos cofres do CHON, em vez de em instalações construídas de raiz.

O futuro Conselho de Administração terá, pois, uma herança difícil para gerir. E no hospital correm os boatos e as perguntas do costume: quem será o presidente? Um médico ou uma administrador-delegado? Será da "casa" ou virá de "fora"? Perguntas às quais, provavelmente, nem o próprio Ministério da Saúde terá ainda resposta.