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Gazeta das Caldas

"Le Regard" de Jorge Feijão para conhecer em vários espaços da cidade das Caldas da Rainha

O artista plástico Jorge Feijão inaugurou a 20 de Março a exposição "Le Regard" que pode ser vista em três locais da cidade. A mostra de pintura e desenho divide-se entre a Galeria do CCC, o Atelier-Museu António Duarte e a Casa Bernardo e poderá ser apreciada até ao final de Maio.

Gazeta das Caldas - Natacha Narciso

O nome "Le Regard" vai buscar a ideia do "olho de Deus", não personificado "mas como o olhar para a coisa infinita e que está inatingível", como explicou o artista plástico, Jorge Feijão. A religiosidade é pois uma linha condutora desta exposição e segundo o autor tem surgido referenciado no seu trabalho. "Não é por devoção. O que existe é uma contemplação desses temas, que estão muito presentes na nossa cultura. Quando era criança a minha primeira relação com imagens foi com as da arte cristã", revelou o autor que se formou na ESAD e que também já lá leccionou.No atelier-museu António Duarte a organização dos trabalhos foi feita em função de uma temática em que a crucificação está no centro. Estão representadas também a Paixão segundo São Mateus e segundo São João, acentuando uma ligação que existe em parte da sua obra aos Textos Sagrados. "Há uma espécie de narrativa, mais ou menos evidente", referiu o autor, que pediu apoio ao Centro de Artes para a cedência de um atelier, e foi-lhe proposto que, em troca, fizesse uma exposição. "Tinha este desejo de pôr o meu trabalho a dialogar com a colecção de arte sacra daquele museu", explicou o artista.José Antunes, responsável do Centro de Artes, também queria que Jorge Feijão expusesse na sala de exposições do CCC e depois surgiu também a intenção do artista em abranger a Casa Bernardo, exactamente "por ser uma casa" e ter esse lado caseiro.Com estes três locais, Jorge Feijão encarou a exposição "Le Regard" como um triângulo.Seleccionado para os Prémios Celpa/Vieira da Silva em 2005 e EDP Novos Artistas também no mesmo ano, Jorge Feijão venceu o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso / aquisição Taminvest, em 2007.Após quase dois anos da sua última exposição individual, nesta mostra, apresentada simultaneamente em três lugares importantes para a geografia artística da cidade, Jorge Feijão mostra uma nova série de trabalhos sobre papel de média e grande dimensão, realizados entre 2008 e 2009 a que se junta um vídeo.Com estes trabalhos poderão ainda ser vistas nos espaços, obras de artista tão afastados programática e, em alguns casos, temporalmente, como Felipe Feijão, João Paulo Feliciano, Pedro Bernardo, Paulo Quintas, Sara Costa Carvalho ou o anónimo do século XV que realizou um dos Cristos e um tríptico pertencentes à colecção de arte sacra do Atelier-Museu António Duarte.