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Expresso

Gazeta das Caldas

Contestação às obras na ESAD (Caldas da Rainha) na Assembleia da República

A comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República ouviu na passada quarta-feira, 14 de Abril, a Ordem dos Arquitectos, que contesta as obras na ESAD, uma vez que consideram que a intervenção prevista vai colocar em risco o edifício premiado. Trata-se de um projecto de arquitectura, de Vitor Figueiredo (já falecido), que recebeu o Prémio Secil em 1998. 

Gazeta das Caldas / Natacha Narciso

A obra, segundo o Instituto Politécnico de Leiria (IPL), que tutela a ESAD, está orçada em 2,8 milhões de euros e quer requalificar as fachadas exteriores, caixilharias, climatização e iluminação, para resolver problemas de climatização e de acústica.

A Ordem dos Arquitectos está contra esta intervenção pois é preciso ter em conta "que este edifício é um marco fundamental na arquitectura portuguesa do século XX", disse José Manuel Rodrigues, da direcção da secção regional do Sul da Ordem acrescentando que não devera ser feita uma intervenção directa "sem projecto de alteração arquitectónica".

O presidente do IPL, Nuno Mangas, defende que as obras serão acompanhadas por arquitectos, o que aquele responsável acha "estranho" pois "do ponto de vista ético não sei se algum arquitecto vai participar nessa aventura que poderá descaracterizar aquele edifício".

O arquitecto José Manuel Rodrigues acha que o IPL "não está a dar retorno aos nossos pedidos" e revelou que a Ordem até disponibilizou os seus serviços para trabalhar em parceria com o IPL nesta questão.

Acham pois que é prioritária a salvaguarda da identidade do edifício da ESAD até porque no caso de haver um processo de classificação daquela construção, "poderá ser colocada em causa, com uma intervenção sem acompanhamento arquitectónico", rematou.

Foi também promovida por um conjunto de cidadãos - onde constam muitos arquitectos, designers e artistas - uma petição que chegou às 1500 assinaturas - e que também se manifesta contra a intervenção prevista.

A própria escola, através do seu Conselho Científico, tem manifestado alguma preocupação com estas obras e expressou-a em carta ao IPL.

Além da Ordem dos Arquitectos, a Assembleia da República ouviu o presidente do IPL, Nuno Mangas e representantes da petição. Aguardam-se agora as conclusões daquela comissão.