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Gazeta das Caldas

Concurso internacional para a realização das dragagens na Lagoa de Óbidos será aberto em Junho deste ano

"Vamos ter a praia reposta a tempo da época balnear", garantiu a Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, na passada terça-feira na Comissão do Ambiente e Ordenamento do Território, na Assembleia da República.

Gazeta das Caldas - Fátima Ferreira

A intervenção "excepcional" que começou a 29 de Março, terá o prazo de 70 dias e foi adjudicada por 319 mil euros por ajuste directo. Além do redireccionamento da aberta para sul, a intervenção consistirá na retirada de 60 mil metros cúbicos de areia. Contudo, a ministra reconhece que será necessária mais areia, cerca de 100 mil metros cúbicos, para encher a zona onde foi colocada a pedra e os sacos, de modo a garantir praia no Verão.

Dulce Pássaro disse ainda aos deputados que chegou a estar pensada a colocação de uma draga na Lagoa, para retirar os sedimentos junto à aberta,

que são os mais limpos. Contudo, acabaram por não avançar com essa ideia, porque isso ia contra a Declaração de Impacto Ambiental (DIA), que estabelece que os dragados da Lagoa tinha que ser analisados. "Em nome da segurança vamos cumprir a DIA, pelo que optamos por fazer a intervenção, recorrendo aos meios mecânicos", disse a governante.

A grande intervenção será feita no final do ano, estando inicialmente prevista, no plano de acção para o litoral, para o Outono de 2011. Esta operação vai consistir na construção de um muro guia para recentrar a aberta, e na realização de grandes dragagens em vários locais definidos.

Segundo a governante o concurso internacional para a realização das dragagens será aberto em Junho e a obra deverá ainda ter inicio ainda este ano.

Dulce Pássaro disse que os autarcas de Caldas da Rainha e Óbidos, terão de se entender relativamente ao local onde serão depositados os dragados e atempadamente, de modo a que a obra posso decorrer dentro dos prazos.

A Ministra reconheceu ainda que a Lagoa de Óbidos é um ecossistema complexo e que é "verdade que o Estado tem gasto bastante dinheiro naquele local". Desde a década de 80 que já foram feitos dezenas de estudos e planos. O INAG, que é a entidade responsável pela intervenção no local, tem recorrido ao estudos técnicos do LNEC e foi necessário, inclusivamente, recorrer ao apoio de estudos estrangeiros de hidrodinâmica marinha.O assunto foi colocado na reunião da Comissão Parlamentar pela deputada caldense Maria da Conceição Pereira, que pediu diversos esclarecimentos à governante. Também Jorge Gonçalves deputado do PS e anterior presidente da Câmara de Peniche, questionou sobre a decisão do local de colocação dos dragados e felicitou a governante pela decisões que tem tomado relativamente à Lagoa.

Paula Santos, deputada do PCP confrontou Dulce Pássaro sobre a classificação da Lagoa como paisagem protegida de âmbito regional e a possibilidade das autarquias fazerem essa mesma classificação. "Estamos encantados. A legislação permite e nós dizemos que sim", respondeu Dulce Pássaro.

A responsável pela pasta do ambiente informou também os deputados presentes na comissão que visitou recentemente a Foz do Arelho, durante uma viagem em que regressava do norte e, falando com alguns populares, sobretudo os mais idosos, estes lhe disseram que a aberta "sempre se deslocou" e chegava mesmo a fechar.