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Gazeta das Caldas

Concluída Rede de Monitorização do Canhão da Nazaré

A segunda bóia do Monican já foi fundeada no canhão da Nazaré, concluindo a rede do projecto do Instituto Hidrográfico que pretende compreender as interacções entre oceano, biosfera e geosfera e as suas implicações nas alterações ambientais, minimizando os efeitos de desastres naturais, permitindo que se melhorem as operações marítimas e se salvaguardem os ecossistemas marítimos.  

Gazeta das Caldas - Joana Fialho

Por estar fundeada junto à cabeceira daquele que é o maior desfiladeiro submarino da Europa, numa zona activa de pesca, esta segunda bóia teve que esperar pelo entendimento entre Instituto Hidrográfico e pescadores, acabando por só ser fundeada no final do mês de Março, quando o inicialmente previsto era a sua localização até ao final do ano passado.

Com as duas bóias devidamente fundeadas, o Monican dá agora um novo passo na observação permanente da meteorologia, da corrente e agitação marítima e da qualidade da água, o que vem complementar as observações via satélite. Estes dados são disponibilizados gratuitamente à comunidade e podem ser consultados em http://monican.hidrografico.pt.

Num encontro com pescadores realizado no final do passado mês de Outubro, Carlos Fernandes, do Instituto que está desenvolver o projecto, explicou que "o conhecimento da circulação profunda e superficial junto aos canhões, especialmente na área da Nazaré, para além de ser de importância vital para o crescimento das actividades económicas locais, também se faz sentir nas alterações climáticas globais".

De acordo com o Instituto Hidrográfico, esta é "uma área de importância extrema devido aos desenvolvimentos esperados ao nível da energia das ondas, turismo, prospecção, navegação comercial e de recreio, pesca, aquacultura e preservação ambiental".

O Canhão da Nazaré é um vale cavado na margem continental nazarena que serve de conduta aos sedimentos terrígenos do continente para locais profundos do oceano. Pelos seus cerca de 200 km de extensão e pela profundidade que chega a atingir os 5.000 metros, o canhão da Nazaré é um laboratório de excelência. No Monican, que se deverá prolongar até 2012, o Instituto Hidrográfico conta com parceria da EEA Grants (Islândia, Liechtenstein, Noruega), da autarquia nazarena, de Puertos del Estado (Espanha) e da SINTEF Fisheries and Aquaculture (Noruega).