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Rachel Weisz será Jackie Kennedy

Antes de ser Jackie Onassis a grande senhora era conhecida por Jacqueline Kennedy, esposa do Presidente americano assassinado em Dallas. Actriz Rachel Weisz aceitou agora responsabilizar-se por transpor tanto estoicismo estiloso para o cinema.

Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)

Parece uma história contada no paraíso: Darren Aronofsky, o único realizador americano que consegue ser ao mesmo tempo lírico e realista duro que não desvia o olhar quando a vida se torna humilhante e repelente, aceitou que a protagonista do seu próximo filme seja a própria esposa.

O filme é sobre uma das primeiras damas mais icónicas da história contemporânea. A actriz é a respeitadíssima Rachel Weisz, vencedora de um Óscar em 2005 pelo retrato espantoso de activista ecológica abocanhada pelo sistema no filme "O Fiel Jardineiro".



De título provisório "Jackie", a história vai rever os dias que se seguiram à tragédia ocorrida quando o Presidente e esposa se encontravam de visita ao Texas, isto em Novembro de 1963.

É desses momentos que surgiram alguns dos registos fotográficos mais arrebatadores da História americana recente: o juramento do vice-Presidente L. B. Johnson, no avião de regresso a Washington, tendo ao lado uma viúva solenemente real e com o vestido ainda salpicado de sangue; o pedaço de filme em que ela gatinha pelo tejadilho do carro num momento em que o corpo do marido jaz inerte no assento traseiro da limusine descapotável; ou a sua fragilidade de mãe jovem durante o funeral, com o filho John ainda pequenino fazendo continência ao caixão que passa.

O filme vai cobrir apenas os quatro dias que se seguiram à manhã fatídica em Dallas.



A notícia é especialmente bem-vinda num momento em que a política norte-americana atravessa uma fase tão cínica. Espera-se que a renascença de Jacqueline Kennedy, considerada a única rainha bem amada que os Estados Unidos já tiveram, devolva à cena actual o sentido de sacrifício, interesse nacional, amor pelas artes, coragem e, naturalmente, estilo intemporal.

Especulação cresce

O facto de o filme vir com o carimbo de um dos casais mais vanguardistas do cinema actual, isso é coisa que tem criado especulações interessantes. Aronofsky, um enfant terrible que nos filmes "The Fountain" e "The Wrestler" devolveu ao cinema a dimensão épica do sofrimento humano quando confrontado com a necessidade de idealismo trascendental, tem um estilo suficientemente errático para desafiar quasquer previsões quanto ao retrato que vai apresentar.

Para mais,  Jackie Kennedy não é uma personagem pacífica. Embora ainda hoje seja considerada por muitos como uma figura intelectual respeitável e de referência nas questões do estilo - especialmente os vestidos rosados escolhidos a dedo para a visita oficial a Jaipur, na Índia-, o seu percurso posterior tem sido visto com alguma suspeita, sendo mesmo acusada de calculista na questão das núpcias contraídas com o armador grego Aristóteles Onassis.

Ascendência judia e húngara

Rachel Weisz trará, sem dúvida, toda esta complexidade para a história que vai contar. A actriz britânica vive no bairro de East Village, em Nova Iorque, e acaba de completar 40 anos bafejada pelos recursos que lhe ficaram de uma ascendência judia e húngara.

Além de uma beleza imparável que tanto pode ser hippie 1971 como Theda Bara 1917, parece ser incapaz de errar quando lhe entregam a liderança de um projecto. Ganhou há dias o maior prémio do teatro londrino ao fazer de Blanche Dubois, uma personagem quase gótica que um americano, Tennessee Williams, imaginou sobrevivendo nas ruas proletárias de Nova Orleães.  

Parte do Óscar atribuído em 2005 pela Academia de Hollywood teve a ver com a gravidade dramática com que a actriz se entrega ao trabalho. No filme "O Fiel Jardineiro", por exemplo, a paixão sentida por Ralph Fiennes fica mais tocante quando percebemos a descoberta que ele faz: ela, a mulher amada, era realmente um desess seres extraordinários pelo qual vale a pena arriscar tudo.

Atenção aos Óscares que aí vêm

O filme pedia que, antes de abandonar o ecrã, Weisz deixasse para trás um rasto indelével de graciosidade e tenacidade capaz de mudar um homem, vingar uma causa e, quem sabe, alterar o mundo para melhor. Foi isso mesmo que ela fez.



Boa ideia é ficar atento às cerimónias de prémios que se seguem. Dos útimos 10 Óscares entregues à melhor actriz do ano, sete foram para trabalhos em que a actriz retratou uma pessoa de carne e osso.