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Médico interrompeu socorro a Jackson para esconder drogas

«Em vez de ter salvo o paciente, Conrad Murray preferiu salvar a sua própria reputação», acusa a mãe de Michael Jackson

Mark Boster/Reuters

Um dos guarda-costas de Michael Jackson acusa médico do cantor, Conrad Murray, de ter preferido proteger-se em vez de manter a respiração boca-a-boca que é prática comum em casos de vida ou morte.

Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)

Alberto Alvarez, uma das testemunhas mais valiosas no caso criminal que o condado de Los Angeles está a tecer contra Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson, disse que o doutor que tratava privado o rei da pop entrou em pânico no momento em que Michael Jackson mais precisava dele.

Quando o cantor foi descoberto sem pulso detectável, em vez de continuar a fazer as manobras de respiração artificial boca-a-boca, Conrad Murray terá gasto tempo precioso a organizar o desaparecimento das embalagens do medicamento propofol, acusa o antigo guarda-costas de Michael Jackson.

O propofol, bem como o acesso ao mesmo e dosagem, está no epicentro da investigação policial que ainda decorre. Acredita-se que Conrad Murray tenha adquirido a drogaria farmacêutica no mercado negro, ou sob nome falso em receitas que ele mesmo assinava e mandava aviar no estado do Nevada. Michael Jackson morreu em Los Angeles a 25 de Junho do ano passado.

Reanimação interrompida

Criar entraves à investigação, por exemplo através da adulteração ou manipulação das provas in situ, aumenta a gravidade da actuação de Conrad Murray no auxílio prestado a Michael Jackson

Criar entraves à investigação, por exemplo através da adulteração ou manipulação das provas in situ, aumenta a gravidade da actuação de Conrad Murray no auxílio prestado a Michael Jackson

Jason Redmond/AP

Doses excessivas de sedativos, ansiolíticos, analgésicos e propofol, um anestético poderoso usado nas câmaras hospitalares onde se fazem cirurgias delicadas, foram descobertas na autópsia feita a Michael Jackson, juntamente com outros traços físicos resultantes da sua batalha prolongada com dependências várias, autoestima, abuso familiar, afirmação sexual e racial.

Foi Alberto Alvarez quem ligou para o serviço de emergências. Quando a equipa de socorro chegou à mansão - alugada por Michael Jackson em Beverly Hills enquanto se ocupava em ensaios diários para a ronda de concertos agendada para Londres -, Conrad Murray deu a impressão de estar ainda a tentar ressuscitar o cantor, isto num momento em que o desfecho parecia claro para os restantes presentes.

Alberto Alvarez vem confirmar, de certa maneira, o profissionalismo de fachada exibido por Conrad Murray. Já pairavam sobre o médico de Michael Jackson suspeitas de manobras financeiras pouco transparentes, dívidas ao fisco e uso de anestéticos letais num quarto privado, que não estava adequadamente equipado para o efeito.

Agora, uma peça de informação vinda do interior da casa onde Michael Jackson parou de respirar: quando o pânico se instalou, parece que Conrtad Murray interrompeu a respiração boca-a-boca de modo a poder ir esconder o propofol que Jackson, através de agulhas intravenosas, usava à margem da lei.

Declarações de uma testemunha vêm confirmar, de certa maneira, o profissionalismo de fachada exibido por Conrad Murray

Declarações de uma testemunha vêm confirmar, de certa maneira, o profissionalismo de fachada exibido por Conrad Murray

Mark Boster/AP

Criar entraves à investigação, por exemplo através da adulteração ou manipulação das provas in situ, aumenta a gravidade do caso.

Comportamento malicioso

O guarda-costas declara que a chamada para o número das emergências só foi feita quando o médico lhe deu luz verde. E isso só sucedeu depois de Murray ter dito a Alvarez onde esconder as embalagens de propofol que se encontravam nas imediações da cama onde Michael Jackson foi encontrado de boca aberta e braços estendidos.

Katherine Jackson, a mãe do cantor, já solicitou publicamente à Procuradoria de Los Angeles que a pena pedida pela acusação seja mais incisiva. Conrad Murray foi acusado publicamente de ter cometido homicídio negligente, pelo facto de não ter cuidado do doente como era sua obrigação deontológica.

Katherine Jackson ouviu o que Alberto Alvarez disse e, através do seu advogado, Adam Streisand, declarou que o comportamento do médico nos minutos fatais demonstra malícia.

"Em vez de ter salvo o paciente, preferiu salvar a sua própria reputação. É visivelmente um caso de malícia premeditada", acusa Katherine Jakson. A mãe pede que, face às alegações do guarda-costas tornadas públicas agora, o crime passe a ser considerado homicídio em segundo grau em vez de, apenas, o resultado triste e imprevisível de mera negligência.